Bairro marginalizado e esquecido da cidade São Luís, a Vila Embratel acabou sendo estigmatizada como violenta. Desde então, os moradores sofrem com o preconceito causado pelo rótulo empregado. E é com o objetivo de reverter esse estigma e permitir aos jovens que descubram e expressem os valores de paz, que há um ano atua no bairro o projeto de pesquisa “Meios de Comunicação e a Cultura de Paz: as formas de expressão dos jovens da Vila Embratel” coordenado pela professora do Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Vera Salles. Ao todo, já foram atendidos 150 jovens do bairro, com a idade entre 14 e 24 anos.
No sábado (17), a partir das 14h, no Núcleo de Extensão da Vila Embratel, o projeto de pesquisa vai realizar o encerramento das atividades deste ano. Estão programadas para o dia oficina de origami, apresentação teatral, balanço das atividades realizadas durante o ano com a apresentação dos resultados das oficinas e entrega dos certificados aos jovens participantes.
A ideia do projeto surgiu após execução da tese de doutorado “Jovens, imaginário de paz e televisão”, da professora Vera Salles onde os jovens entrevistados revelaram que o discurso da violência é predominante nos gêneros televisivos. “Depois da pesquisa, se percebeu que eles vivem mesmo em um bairro estigmatizado como violento, mas que na realidade a violência não está só na Vila Embratel. O principal objetivo do projeto é agir junto à comunidade para que ela transforme esse paradigma da violência em paradigma de paz” conclui a professora.
A iniciativa vem mudando a realidade de muitos jovens do bairro, que ao descobrirem os valores de paz passam a disseminá-lo em suas casas, escolas e, por conseguinte, no bairro. “O Comunicapaz me ajudou muito a enxergar os problemas dentro da minha comunidade e em refletir em como posso fazer pra mudar essa realidade”, é o que afirma um dos jovens que participam do projeto, Enoc de Sousa.
Também conhecido como Comunicapaz, o projeto atua com a realização de oficinas de capacitação audiovisual e artística: vídeo, blog, rádio, jornal, teatro do oprimido, fotografia, grafite, serigrafia, produção textual, leitura e dança afro. “O Comunicapaz é um projeto muito bom, que tenta levar a paz através da comunicação, seja ela cantada, escrita, interpretada na forma do teatro, ou até mesmo através da dança. Acho muito legal essa iniciativa de levar a cultura de paz através das artes” diz Enoc de Sousa.
Todas as oficinas são realizadas durante a semana, das quartas aos sábados, no Núcleo de Extensão da Vila Embratel (NEVE). Para tal, o projeto ainda conta com a ajuda de alguns parceiros: Agência Matraca, Grupo Xama Teatro, Conexão de Saberes, o Instituto de Cidadania Empresarial (ICE), a Rede Imaginautas e a École de La Paix – Grenoble, França.
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